Artigos

Entre castelos e monarcas: quantos séculos de história cabem em uma viagem?

Photo by Dorian Mongel on Unsplash

A França é um país rico em história, materializada em monumentos, castelos, museus e até na gastronomia. Nesse artigo, vamos mostrar um pouco dessa história para que você possa apreciá-la durante sua viagem pelo país. De quebra, vamos mostrar alguns dados curiosos sobre os castelos e os principais personagens franceses, que te ajudarão a conhecer melhor a França e seus últimos 500 anos de história.

Castelos renascentistas

A palavra francesa “château” significa castelo e abrange tudo, desde masmorras e fortalezas medievais até as casas de campo que embelezam muitas vinícolas. A agência de monumentos históricos da França lista 6.450 castelos e mansões, sendo 900 deles pertencentes ao Estado e o restante propriedades privadas, muitas delas pertencentes às mesmas famílias há gerações. Para visitar a maior (e mais impressionante) coleção de castelos e palácios renascentistas da Europa, visite o  Vale do Loire.

Um dos castelos mais antigos da França é o Chateau de Chambord – da foto que ilustra esse artigo – o maior e mais prestigioso dos muitos castelos do Vale do Loire. Essa maravilha renascentista foi construída no século XVI pelo o Rei Francisco I, o “Rei-Cavaleiro”. O Chateau de Chambord é famoso pela sua arquitetura distinta: possui características de castelos medievais clássicos (como um fosso e muralhas, ainda que neste caso sejam ornamentais) e misturadas com estruturas renascentistas contemporâneas.

A história dos castelos franceses está ligada ao período medieval, e as regiões que viram séculos de conflitos na Idade Média tendem a ser ricas em castelos históricos fortificados. Já outras regiões têm uma excelente escolha de castelos construídos em tempo de paz, servindo de residência para membros da realeza ou da nobreza. Em outras áreas, os visitantes podem descobrir um grande número de castelos construídos nos séculos XVIII a XIX por mercadores ou proprietários de terras prósperos, marcando a ascensão da burguesia.

Os franceses chamam o século XVII de  “Le Grand Siècle”, representando o tempo em que a França era uma grande potência europeia e a cultura francesa estava em seu auge. Era a idade de ouro dos reis Luís XIII e Luís XIV, e também a Era dos grandes arquitetos, pensadores, filósofos e escritores franceses. E no que diz respeito aos castelos, foi a época que se viu a construção de alguns dos mais emblemáticos palácios franceses, que nunca tiveram qualquer significado militar, mas eram casas senhoriais, uma expressão do prestígio dos seus proprietários.

O maior dos castelos do Grande Século é, naturalmente, o Château de Versailles, a grande residência real de Luís XIV, a oeste de Paris, que se tornou imediatamente a referência de padrão arquitetônico para reis e príncipes de toda a Europa. O Palácio de Versalhes nunca foi igualado em grandeza, pelo menos não na França, mas nos séculos XVII e XVIII assistiu-se à construção de muitos castelos menores em todo o país, castelos que vieram a definir o paradigma do castelo francês até ao século XX.

Personagens históricos

Mas não só de castelos vive a França. Sua história está repleta de personagens importantes para o país e para o mundo Ocidental, o que mostra como as ideias e cultura francesa foram importadas para o mundo inteiro por meio da língua, dos valores e do iluminismo.

É vital entender melhor alguns destes personagens para conhecer a fundo a história do país. Dessa forma, ao encontrarmos um monumento ou pintura que representam essas pessoas e seus feitos, podemos compreender melhor qual o papel elas tiveram na formação da França moderna.

A mais conhecida santa francesa é Joana D’Arc, considerada uma heroína por seu papel durante a Guerra dos Cem Anos. Nasceu em uma família camponesa e ficou famosa por alegar ter recebido visões do Arcanjo Miguel, de Santa Margarida e de Santa Catarina de Alexandria, instruindo-a a apoiar Carlos VII a recuperar a França do domínio inglês. Ela foi capturada por um grupo de nobres franceses aliados da coroa inglesa. Mais tarde, foi entregue aos ingleses e queimada na fogueira em 30 de maio de 1431, com cerca de 19 anos de idade. Quem visitar o Vale do Loire com nossos tours de bicicleta pode conhecer o palco em Chinon, um dos locais por onde Joana D’Arc passou.

Já o mais famoso rei francês é Luís XV, Rei entre 1715 e 1774, e conhecido como “Luís – O Amado”, o que contribuiu para o declínio da autoridade real e levou à “Revolução Francesa”. Ele foi coroado rei com apenas 5 anos de idade e governou a França por 59 anos, o segundo mais longo reinado da história do país. Luís XV era casado com Marie Leszczyńska, a filha do rei deposto da Polônia, mas teve uma série de amantes, a mais famosa sendo Madame Pompadour, que era sua confidente próxima e conselheira em assuntos de Estado.

Todos conhecem a amada e odiada Maria Antonieta, rainha da França e de 1774 a 1792 e considerada o fator que provocou a Revolução Francesa. Ela era casada com Louis-Auguste, que ascendeu ao trono como Luís XVI da França em 1774. O povo francês a adorava por sua beleza e encanto, no entanto, os sentimentos do público em relação à ela começaram a mudar quando perceberam sua total falta de preocupação com o bem-estar do povo. A indignação do público com a rainha aumentou por causa de suas extravagâncias, o que levou ao início da Revolução Francesa em 1789. Após a derrubada da monarquia, tanto o rei como a rainha foram condenados à morte e executados na guilhotina.

O escritor François Rabelais (1483 a 1553) é uma das figuras importantes das cidades de Touraine e Chinon. Ele é historicamente considerado como um escritor de fantasia, sátira, grotesco, piadas e canções bajuladoras. Sua obra mais conhecida é Gargântua e Pantagruel. Devido ao seu poder literário e importância histórica, os críticos ocidentais consideram-no um dos grandes escritores da literatura mundial e um dos criadores da escrita europeia moderna. O seu legado literário é tal que, hoje em dia, a palavra Rabelaisian define alguém ou algo que é “marcado por humor robusto e grosseiro, extravagante, ou naturalmente ousado”.

Leonardo da Vinci (1452 – 1519) foi um grande inventor, pintor da Mona Lisa, cientista, poeta e muitas coisas mais. Sua vasta obra o tornou conhecido como a figura mais importante do Alto Renascimento europeu. Apesar de ser italiano, da Vinci passou seus últimos anos em Clos Lucé, um pequeno castelo situado em Amboise, no Vale do Loire. Atualmente, Clos Lucé abriga um museu que reflete a história da região francesa e inclui diversos modelos das várias máquinas desenhadas por Leonardo da Vinci. Uma visita imperdível durante seu tour!

Mariana Eberhard vive em Berlim, onde conclui um Ph.D. em sociologia do turismo. É jornalista e socióloga por formação, e atualmente é escritora e tradutora freelancer – traduzindo do Inglês, Espanhol e Alemão para o Português. Em seu tempo livre ela gosta de ler, perder tempo vasculhando a Netflix e descobrir os segredos da cidade onde mora.

1 comentário em “Entre castelos e monarcas: quantos séculos de história cabem em uma viagem?

  1. Pingback: Qual destino na França é o ideal para você? – Travel Praxis

Diga-nos sua opinião:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: