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Saiba tudo sobre os grandes vinhos de Bordeaux

Bordeaux é conhecida mundialmente como a capital do vinho e há vários motivos para isso. Entenda o porquê dos vinhos de Bordeaux serem tão famosos neste artigo.

Bordeaux é uma cidade na região sudoeste da França, sendo a capital e maior cidade do departamento de Gironda. É um porto na margem sul do rio Garona e sua arquitetura histórica a fizeram ser nomeada em 2007 como Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO.

Mas a fama de Bordeaux não vem da área urbana, mas sim dos vinhedos. A cidade é tão conhecida pelos vinhos tintos que em português o nome bordô representa um vermelho cor de vinho.

Por que da fama?

A principal razão para o sucesso dos vinhos produzidos em Bordeaux é um excelente ambiente para a cultura de uvas. A base geológica da região é o calcário, o que leva a estrutura do solo a conter bastante cálcio. O estuário do rio Gironda domina a região junto com os seus afluentes, os rios Garonne e Dordogne, que juntos irrigam a terra e proporcionam um clima atlântico, também conhecido como clima oceânico. Bordeaux situa-se no centro da confluência dos rios Dordogne e Garonne, que desembocam no Gironde.

Outra razão para esse sucesso é também de quantidade de garrafas produzidas anualmente. Com uma área total de vinha de mais de 120.000 hectares, Bordeaux tem a maior área de cultivo de vinho da França. As colheitas médias produzem mais de 700 milhões de garrafas, desde grandes quantidades de vinho de mesa até alguns dos vinhos mais caros e prestigiados do mundo.

A grande maioria do vinho produzido em Bordeaux é tinto, mas também há vinhos brancos doces (principalmente Sauternes), brancos secos, e (em quantidades muito menores) vinhos rosés e espumantes (Crémant de Bordeaux).  O vinho de Bordeaux é produzido por mais de 8.500 produtores, também chamados châteaux.

História da produção de uvas em Bordeaux

Mas a história dos vinhos de Bordeaux é antiga, e historiadores estimam que os romanos tenham introduzido a produção de uvas na região na metade do século I. Mas foi no século XII que as vinícolas da região foram alçadas à fama internacional, após o casamento de Henry Plantagenet e Eleanor da Aquitânia. O casamento fez com que a província de Aquitânia fizesse parte do Império de Angevin, e daí em diante o vinho de Bordeaux passou a ser exportado para a Inglaterra.

Após esse período, as autoridades locais começaram a aplicar regulações rigorosas à toda a produção de vinhos de Bordeaux, e muitas destas ainda são válidas hoje em dia. Em 1855, a pedido de Napoleão III, foi criado um sistema de classificação para a Exposition Universelle de Paris. Este se tornou conhecida como a Classificação Oficial de Vinhos de Bordeaux de 1855, que ranqueada os vinhos em cinco categorias de acordo com o preço.

Terroir, solo e uvas

Photo by Bianca Isofache on Unsplash

Cada um dos vinhos pertence a uma appellation, ou região com certificado de origem, outro sistema de classificação francês usado também para queijos, manteigas e outros produtos agrícolas. No caso dos vinhos, o fator controlado é o “terroir”, palavra francesa que indica o ambiente natural completo em que um vinho específico é produzido, incluindo fatores como o solo, a topografia e o clima.

O solo o terroir de Bordeaux são divididos em dois tipos. Na margem esquerda do rio estão as regiões de Médoc e Graves, com terroirs predominantemente à base de cascalho. Na margem direita, chamada Blayais e Entre deux mers, os solos são dominados por argila e calcário. São estes tipos de solo distintos que dão aos vinhos de Bordeaux muito de sua personalidade e caráter.

As cinco principais variedades de uvas vermelhas da região de Bordeaux são: Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Petit Verdot e Malbec, sendo o Cabernet a uva dominante a oeste do rio Gironde, e Merlot à leste. Quase todos os tintos de Bordeaux são uma mistura de duas ou mais variedades de uvas, e os mais famosos representam menos de cinco por cento da produção total da região, sendo muitas vezes dignos de décadas de envelhecimento.

As grandes appellations: regiões produtoras de vinho

Como dissemos acima, Bordeaux é dividida em appellations regulamentadas pelo Estado para produção agrícola. As principais são Saint-Émilion, Saint-Estèphe, Pauillac, Pomerol e Côtes de Blaye.

Saint-Émilion está localizada na margem esquerda do rio Gironde e produz vinhos magníficos a partir de uma combinação de Merlot (60%), Cabernet Franc (quase 30%) and Cabernet Sauvignon (em torno de 10%). Já Saint-Estèphe está localizada na sub-região de Médoc, produzindo vinhos desde os tempos romanos! Não regulamentação quanto às proporções exatas da mistura de uvas que compõem os vinhos de Saint-Estèphe, mas na prática, as misturas consistem predominantemente de Cabernet Sauvignon.

Pauillac fica na sub-região de Haut-Médoc, com centro na pequena cidade de mesmo nome. O escritor britânico e especialista em vinhos Hugh Johnson já disse: “Se alguém tivesse de destacar uma comuna de Bordeaux como a melhor, não há dúvidas. Seria Pauillac”. Os vinhos ali produzidos são frequentemente considerados o que há de melhor em Bordeaux.

Na margem direita do rio também está Pomerol, a menor e mais jovens das principais regiões produtoras de Bordeaux. Os vinhos são feitos a partir de uvas Merlot com uma parte de Cabernet Franc. Apesar de muitos vinhos de Pomerol alcançarem preços altos em leilões e no mercado privado, ainda não há classificação oficial do vinho Pomerol.

Por fim, Côtes de Blaye é uma appellation moderna e dinâmica localizada na margem direita do rio, que produz vinhos acessíveis a partir das uvas Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Malbec e Merlot. Esses vinhos tintos têm uma bela cor e uma forte estrutura, sendo envelhecidos em barris antes de serem apreciados.

Quanto sai uma garrafa de vinho em Bordeaux?

Todo esse requinte engarrafado não sai barato, e o vinho mais caro produzido na região custa mais de R$ 15.000 a garrafa! No entanto, não se preocupe tanto com o bolso na hora de comprar vinhos para trazer na mala. É possível comprar ótimos vinhos de Bordeaux a menos de R$ 10 o litro.

Artigo escrito para o Bici Trip.

Mariana Eberhard vive em Berlim, onde conclui um Ph.D. em sociologia do turismo. É jornalista e socióloga por formação, e atualmente é escritora e tradutora freelancer – traduzindo do Inglês, Espanhol e Alemão para o Português. Em seu tempo livre ela gosta de ler, perder tempo vasculhando a Netflix e descobrir os segredos da cidade onde mora.

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