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Ser um travel writer: 6 mitos e uma verdade

Há poucas carreiras que envolvem tantas expectativas quanto a de escritor de viagens. No entanto, nem tudo é glamour.

Ser um escritor de viagens pode parecer um sonho: aventurar-se pelo mundo, escrever relatos sobre essas experiências inesquecíveis, descobrir os segredos dos destinos mais badalados.

No entanto, é preciso cuidado para que esse sonho não acabe em frustração. Viaja-se muito, mas à trabalho. Quase não há tempo para relaxar e curtir o lugar, escreve-se muito e mais tempo é gasto com emails para editores e clientes do que tirando fotos em monumentos e museus.

Além disso, o dinheiro é pouco. Com a internet, o espaço para publicação de textos sobre viagens cresceu infinitamente, mas a concorrência também cresceu. Em resumo, muita gente publica, mas ganha-se menos. Por isso, não peça demissão do seu emprego fixo antes de ter a garantia de estabilidade financeira como escritor de viagens.

Para que você não se frustre nem crie grandes expectativas, escrevi esse texto com 6 mitos sobre a carreira de travel writer. Mas, para não jogar um balde de água fria nos seus sonhos, deixo uma verdade positiva que vai te mostrar que quem corre atrás, uma hora chega lá – nem que demore um pouco.

1. Travel writers ficam ricos

Apenas um punhado de escritores de viagens ganha dinheiro suficiente para viver disso, menos ainda no Brasil. A maioria trabalha em uma variedade de projetos, somando trabalhos freelancer de travel writing com carreiras em marketing, jornalismo, mídias sociais e redação de conteúdo para a internet.

Portanto, a não ser que você esteja fazendo isso há anos e tenha bons contatos com editores, esta não é uma fonte confiável de renda. Exemplo: os travel writers que escrevem guias de viagem (livros impressos) podem ganhar taxas consideráveis por projeto ou por palavra. No entanto, contabilizando as viagens em si, o tempo de pesquisa, coleta de informações in loco e o tempo para redigir o texto final, ganha-se pouco.

2. Os editores não vêem a hora de ler suas histórias

Editores de revistas impressas trabalham muito e tem pouco tempo para ler sobre a sua viagem para Fiji. Eles já têm seus contatos de repórteres que conhecem o estilo da publicação e os temas que a interessam e, ainda assim, recebem muitos emails de escritores novatos que desejam começar a escrever para eles.

Por isso, evite enviar aquela história completa para o editor-chefe da sua revista dos sonhos. O ideal é enviar somente a ideia da pauta, indo direto ao ponto e sem florear muito. Ainda assim, as chances de nunca ser respondido são altas.

3. O lugar faz a história

Com os avanços dos meios de transporte, não há lugar na Terra que não tenha sido visitado, estudado, explorado e, claro, descrito. Editores te dirão que não faltam pessoas para viajar a lugares remotos e inacessíveis. Se pensarmos nas grandes capitais do mundo, a situação piora – e muito!

A saída é encontrar um ponto de vista único que traga novas informações e desperte o interesse dos editores (e dos leitores). Mesmo Paris tem histórias a serem escritas, ou a sua cidade, não importa o quão pequena e entediante ela pareça. O exercício de buscar ângulos inovadores para reportagens te dará uma habilidade inestimável.

4. Os leitores querem saber a sua história de viagem

Histórias escritas em primeira pessoa e em ordem cronológica geralmente cabem apenas em blogs pessoais. É raro encontrar um travel writer que consiga transformar um diário de viagem em um texto interessante que prenda nossa atenção e seja publicável.

Geralmente, um travel writer deve aparecer apenas quando a experiência dele diz algo sobre o destino e é relevante no contexto da história. Ter diarréia na Índia só se tornará um fato interessante se você conseguir conectar isso com a falta de saneamento básico, com o sistema de governo e estatísticas que mostrem quantos turistas vão parar no hospital naquela cidade.

5. Escreva, receba seu pagamento e veja seu texto publicado

Quem dera fosse simples assim. A maioria dos clientes de travel writers tendem a demorar um pouco a pagar. Para piorar, revistas pagam apenas caso (e quando) o texto é impresso. Como elas planejam seus calendários editoriais com meses de antecedência, você demorará um tempo até ver o seu dinheiro.

Por isso é importante diversificar a sua renda, pegando clientes que tratem de outros assuntos que não só viagens ou trabalhando com projetos em outras áreas. As contas não esperam tanto.

6. Você viajará com todas as despesas pagas

Você pode até dar sorte, mas não podemos viver de sorte. As revistas estão demitindo centenas de jornalistas fixos com carreiras respeitáveis porque já não há tanta verba. O mundo impresso tem perdido espaço para o digital e as redações tradicionais têm sofrido. É preciso competir com o online pelos anúncios e, com isso, há menos renda para as publicações.

Por consequência, não há orçamento para te mandar para a África do Sul por uma semana com tudo pago para voltar com uma história de 3.000 palavras. A solução é aproveitar as viagens que você já vai fazer e sugerir pautas para os editores. Assim você consegue pagar parte da viagem com o que receberá pelo artigo – se ele for aceito, publicado e quando você receber.

7. Não é impossível!

Ser um travel writer pode parecer um sonho inalcançável. Mas é possível, especialmente se você estiver disposto a trabalhar muito para fazer um nome nesse ramo. Escrever textos de graça no começo é normal, principalmente se você quiser mostrar que sabe escrever.

Depois de um tempo, consegue-se um cliente, um contato com editor, um jornal que precisa de colaboradores freelancer. Assim, a passos de formiguinha, você terá a independência financeira que precisa e a carreira de escritor de viagens!

Mariana Eberhard vive em Berlim, onde conclui um Ph.D. em sociologia do turismo. É jornalista e socióloga por formação, e atualmente é escritora e tradutora freelancer – traduzindo do Inglês, Espanhol e Alemão para o Português. Em seu tempo livre ela gosta de ler, perder tempo vasculhando a Netflix e descobrir os segredos da cidade onde mora.

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