Travel Writing

Viagem para Suíça: 10 coisas para saber antes de ir

10 coisas que você precisa saber para se preparar para uma viagem à Suíça.

Poucos encaram uma viagem para a Suíça. A fama que acompanha esse país é de que tudo é caro, da água às passagens de trem, do hotel ao ar que se respira. Bem, a Suíça não é lá o país mais barato do mundo, mas tampouco merece ser riscada da nossa lista de destinos dos sonhos.

Além disso, poucos sabem o que fazer na Suíça. Além dos alpes e das estações de esqui, não temos muita ideia de atrações que mereçam um roteiro gigante. Mas nossa experiência prova que esse multicultural e cheio de idiomas oficiais merece um lugarzinho no coração dos brasileiros.

O importante é saber quando, como e por quê atravessar os alpes e conhecer a terra do chocolate e do fondue. Por isso, nós preparamos 10 dicas da Suíça que vão te fazer querer marcar a passagem para já. 

Leia este artigo até o fim para estar preparado para uma viagem até a Suíça.

1. A Suíça é cara mesmo

A resposta mais simples para essa pergunta é: sim. Mas no fim das contas, depende. Algumas coisas têm preços bem na média europeia, enquanto outras custam mesmo os olhos da cara. 

Compras no mercado saem bem mais em conta do que comer em um restaurante. A regra vale para qualquer lugar do mundo, mas na Suíça mais ainda. Então arrume um hotel ou hostel com cozinha para economizar. 

A moeda da Suíça é o franco suíço e não o euro, pois o país não faz parte da união europeia. Assim como a libra esterlina (moeda da Inglaterra), o franco é sempre mais caro que o euro, então conte com um câmbio dolorido.

Na hora de viajar, um cappuccino básico vai custar entre 5-8 CHF, ou seja, mais de R$ 30! Já uma refeição em restaurante pode consumir 15-20 CHF do seu orçamento, o que equivale a mais de R$80. 

Uma cama em um hostel custa a partir de 30 CHF (R$ 120) por noite, enquanto um quarto de hotel básico em uma cidade como Lucerna sai por cerca de 100 CHF (R$ 410), e uma viagem de trem de três horas pelo país pode custar 70 CHF (quase R$ 300). 

Mas não se desespere! Há maneiras de viajar pela Suíça sem ter que vender um rim para isso. Nossas dicas são:

– Fique mais tempo nas cidades: já que as viagens de trem são super caras na Suíça, vale à pena cortar uma cidade ou outra do roteiro e ficar mais tempo naquela que você achar interessante. Se tiver mesmo que se deslocar, vá de ônibus. Uma viagem pela Flixbus vai te custa um quarto da viagem de trem!

– Vire vegetariano por uns dias: a carne na Europa é cara, na Suíça é mais cara ainda. Então focar nos vegetais vai te fazer economizar um bocado. O Migro e o Co-Op são os principais supermercados da Suíça e alguns vendem refeições prontas se você não tiver uma cozinha no hotel.

– Beba a água da torneira: economize dinheiro e ajude meio ambiente ao não comprar água engarrafada na Suíça. A água da torneira é perfeitamente segura para beber! 

– Corte a bebida alcoólica: beber não é barato na Suíça, então sair para um barzinho pode sair muito caro. Uma dica é comprar um bom vinho francês no supermercado. Você pode encontrar alguns mais baratos do que no Brasil.  

– Faça trilhas: enquanto a Suíça é conhecida por ser cara, também é conhecida por ser linda. Os viajantes se encantam com os lagos alpinos, montanhas com picos nevados e prados floridos. Então esqueça os shopping center e vá caminhar!

2. Experimente um fondue típico da Suíça

Fondue fica melhor compartilhado com amigos e família.

Você pode já ter experimentado o fondue antes, mas não na Suíça. Neste país, esse prato torna o comer em uma experiência, que fica ainda melhor compartilhada com quem a gente gosta – ou com alguns estrangeiros que acabamos de conhecer, por que não?

O prato é basicamente queijo derretido em uma vasilha que fica sobre o fogo todo o tempo, onde mergulhamos pedaços de pão artesanal e comemos. No Brasil, como em outros países, acrescentaram frutas, carne e outras coisas mais. Mas na Suíça só se usa pão mesmo.

O fondue tornou-se popular depois de a União Suíça do Queijo o ter promovido como estratégia de marketing nos anos 30. Hoje em dia, o prato é um símbolo nacional e há diversas tradições em volta do ato de sentar-se à mesa para comer fondue. Por exemplo, se você perder o pão no queijo, você é o próximo a pagar uma rodada de bebidas para o grupo. Com o preço da bebida na Suíça, melhor segurar bem esse pão!

3. Suíço não é um idioma

Muita gente não sabe, mas “Suíço” não é uma língua. Em vez disso, o país tem quatro línguas oficiais: alemão, francês, italiano e romeno. Cada uma é falada em uma região e nem todos os habitantes falam todas as línguas.

De um modo geral, quanto mais oeste você chegar (em direção à França), mais francês você ouvirá. Quando você ao sul (em direção à Itália) você vai começar a ouvir algum italiano. E próximo à Alemanha, ao norte, ouvirá mais alemão.

Mas não se anime se você souber souber um pouco de alemão. O dialeto local é a língua mais falada do país, mas é também completamente diferente do alemão padrão. Tanto que tem um nome diferente, sendo conhecido como Schwizerdütsch, que é só um jeito complicado de falar “alemão da Suíça”.

Já o francês e o italiano soam bastante parecidos com as variantes faladas em seus países de origem, no caso a França e a Itália. Por sorte estas também são mais parecidas com o nosso português. Já a língua menos falada é o romeno, que é o idioma nativo de apenas 1% da população da Suíça. 

Então na hora de viajar para a Suíça, lembre-se de dar um Google para saber que idioma é falado na sua cidade de destino. 

4. Experimente cantar o Iodelei, o canto alpino

Os fazendeiros dos alpes suíços encontraram um jeito super prático de se comunicar quando os telefones não existiam, o Iodelei. Este canto muda rapidamente do agudo para o grave e ressoa bem entre os vales e montanhas dos alpes, por isso é uma das marcas registradas da região.

Hoje em dia poucos suíços usam o iodelei, uma técnica super difícil de aprender, mas a tradição se consagrou e hoje há inclusive festivais de Iodelei. A palavra é na verdade uma onomatopéia, uma palavra que representa um som, e a gente escuta isso mesmo ao ouvir alguém cantando Iodelei.

Muita culturas usam esta técnica, especialmente povos antigos que viviam em montanhas, mas a Suíça ficou com toda a fama. Nas cidades alpinas, é possível ver eventos, workshops e outras atividades de Iodelei. Você pode até tentar tocar a Trompa alpina, um instrumento de madeira gigantesco que lembra o nosso berrante.

Se você estiver curioso para saber que diabos é isso, veja esse vídeo do Franzl Lang, o mais famoso cantor alpino de todos os tempos.

5. A Suíça não é um país para fazer amigos

Se você estiver viajando sozinho, foque nos hostels e tente fazer amizade com outros viajantes. Os suíços são famosos por serem super reservados e é bem difícil fazer “amigos para sempre” durante uma estadia curta no país.

Se você estiver em grandes cidades como Zurique, Geneva ou Lucerna, pode até ter mais contato com estrangeiros que vivem no país, mas os suíços mesmo dificilmente vão te convidar para um fondue na casa deles.

Isso não significa que eles sejam mau educados ou grosso, então não precisa ter medo de pedir informação na rua. Eles só fazem parte de uma daquelas culturas menos soltas, que falam mais baixo, se contém um pouco.

No entanto, os estrangeiros que moram ou viajam para a Suíça logo aprendem que, apesar de reservados, os suíços não têm medo de encarar. Isso tem até nome: a encarada suíça.

Seja no trem, no mercado ou em qualquer lugar público, você vai perceber uma doce senhora te olhando fixamente por muito tempo. Muito tempo mesmo. Mais do que o aceitável em nossa cultura. 

Se for o caso, não se preocupe. Não é você, são eles. Os suíços entendem o encarar como curiosidade e não têm vergonha de olhar os outros dos pés à cabeça. Sejam estrangeiros ou locais. Fique na sua e continue seu caminho.

6. A gorjeta na Suíça é totalmente opcional

Qualquer um que já viajou para fora do Brasil sabe que o nosso sistema é super prático. A gente vai comer em um restaurante e na hora de pagar a conta, já está tudo calculado. 10% de gorjeta e vida que segue.

Nos EUA é mais complicado. Não se cobra gorjeta, mas todo mundo espera que você a dê – normalmente 20%, dependendo da qualidade do serviço. Não pagar pode despertar a ira do garçom.

Já na Suíça, ninguém espera que você dê gorjeta. Você pode se quiser, caso o serviço for espetacular e você tiver dinheiro sobrando. Mas ninguém vai ficar de cara feia se você pagar a sua conta e pronto.

Na hora de passar o cartão, a máquina vai te perguntar se você quer dar gorjeta, mas você pode simplesmente apertar o “não” e pagar a conta sem gorjeta mesmo.

Isso acontece porque apesar de ser um país caro, os salários na Suíça são relativamente bons, então quem trabalha na gastronomia não depende de gorjetas para sobreviver. 

7. No verão, tome banho nos lagos!

A Suíça não tem litoral, mas tem dezenas de lagos lindos, cercados por montanhas e prados verdejantes (chique, né?). No inverno eles são congelantes ou estão congelados, então não dá nem para sonhar com um mergulho. Mas no verão, a pedida é nadar.

Então, se sua viagem para Suíça coincidir com os meses mais quentes do ano – entre Maio e Setembro, se tiver sorte – faça como os locais e procure o lago mais próximo para passar o dia.

É de graça e a experiência será inesquecível. No entanto, como você provavelmente não conhece o local, peça dicas no hotel e pergunte por aí para saber se há perigos.

Afogamentos não são tão incomuns quanto pensamos e a segurança é imprescindível. Além disso, em alguns lagos não é permitido nadar. 

Os maiores deles, como Lago Constança e o Lago Geneva são alguns dos maiores da Europa, são super fundos e têm tráfego de embarcações. Então, de novo, melhor perguntar antes de se jogar na água.

8. No inverno, vá esquiar!

Seu sonho é viajar para a Suíça e ver neve, esquiar e tomar um chocolate quente em um chalé super romântico? Pois tome nota, que vamos te dizer exatamente onde.

O destino mais famoso para os praticantes de esqui (amadores ou profissionais) e a cidade de Zermatt, que fica no cantão de Valais, ao sul do país. É nessa cidade que está o Matterhorn, a montanha mais famosa da Suíça – ela está estampada na embalagem do toblerone, o chocolate triangular conhecido no mundo todo.

Zermatt e o lendário Matterhorn ao fundo.

Além de ter ótimas opções para esquiar e ter diversas atividades o ano todo, a cidadezinha é super charmosa, preenchendo todas as categorias de cidade alpina: chalés de madeira, chaminés, ruelas cobertas de neve e tudo mais.

Outra opção é St. Moritz, mais à Leste do país. Essa cidade que colocou a Suíça no mapa dos esportes de invernos e aqui estão as pistas de esqui mais antigas do mundo. 

Para chegar na estação de esqui, você precisa se dirigir à cidade de Corviglia e pegar um funicular – o nosso querido bondinho – e subir 2.486. Aqui é tudo beeem caro, mas você consegue acomodação mais barata na cidade de Silvaplana, a poucos minutos da estação.

9. Se você curte jazz, visite Montreux

O jazz pode ter nascido nos Estados Unidos, mas foi uma cidade Suíça que tornou famoso mundialmente. Montreux fica às margens do Lago Léman, na fronteira com a França, e desde 1967 recebe um festival anual que jazz.

O festival acontece todos os anos no começo de julho, no alto verão europeu, mas uma visita à cidade é o suficiente para entender o legado deste festival. Uma dica é passar pelo Palácio Fairmont Le Montreux, onde acontece o festival. Outras obras estão por toda parte, já que a cidade respira arte. 

Outra dica é ouvir os discos inspiradores que saíram das participações de artistas neste festival ao longo dos anos. Elis Regina é uma das brasileiras que brilhou nos palcos de Montreux e o disco lançado após a sua morte mostra o estilo das apresentações do festival.

Além dela, diversos Caetano Veloso, Baby Consuelo, Rita Lee, Ney Matogrosso, Gal Costa, Milton Nascimento, Titãs, Paralamas do Sucesso, Marisa Monte e muitos outros passaram por Montreux.

10. A Suíça não tem capital

Se você já está montando na cabeça o roteiro da sua viagem à Suíça e quer buscar voos para a capital, saiba que o país não tem uma.

Por conta das diversas línguas e da multiculturalidade, as maiores cidades estão localizadas em regiões distintas. Zurique é a capital financeira do país e ali se fala alemão, enquanto Genebra concentra as instituições internacionais e tem o francês como língua mais falada. 

Lugano é a maior cidade do sul, quase na fronteira com a Itália, mas não possui importância política ou jurídica. Já a sede do governo fica em Berna, a maior cidade do país e parte da região onde o alemão é o idioma predominante.

No entanto, nenhuma destas cidades é a capital oficial. Em 2002 o governo montou uma comissão para a estudar a ideia de tornar Berna a capital da Suíça, mas a comissão acabou em 2004 sem nenhuma conclusão.

Assim os suíços vivem sem capital, com várias cidades importantes e centenas de vilarejos entre as montanhas. 

Agora você já sabe tudo sobre a Suíça e pode começar a maquinar um plano imbatível para sua viagem.

Mariana Eberhard vive em Berlim, onde conclui um Ph.D. em sociologia do turismo. É jornalista e socióloga por formação, e atualmente é escritora e tradutora freelancer – traduzindo do Inglês, Espanhol e Alemão para o Português. Em seu tempo livre ela gosta de ler, perder tempo vasculhando a Netflix e descobrir os segredos da cidade onde mora.

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